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Ecommerce

Desde os primeiros dados a partir do semestre de 2019 mostram que mulheres fizeram mais pedidos online e que compras foram maiores entre os adultos até 39 anos

Hoje é fácil encontrar quem tenha feito mais de duas compras pela internet neste ano, e as compras se tonam mais comum entre jovens adultos, entre 25 e 39 anos, e entre as mulheres. É o que mostra um levantamento da empresa de inteligência de mercado Compre&Confie sobre as compras feitas pela internet no Brasil no primeiro desde o  segundo semestre de 2019 até hoje.

No Brasil, cerca de 19,7 milhões de consumidores fizeram ao menos uma compra virtual no período, alta de 36% em relação ao ano passado (embora ainda representando menos de 10% da população brasileira). Dentre esses consumidores, mais de 23% das pessoas fizeram compras pelo menos três vezes entre julho de 2020 e março de 2021, com média de nove pedidos no período. A maior parte, 77%, comprou menos de mais de duas vezes.

Neste cenário, dentre os consumidores considerados pelo estudo , que fazem compras frequentemente, as mulheres representam 60%. Dentre todos os consumidores, elas foram responsáveis por 51% dos pedidos neste período. O motivo para o domínio das mulheres é simples: elas originalmente compram mais roupas, sapatos e cosméticos e, com o amadurecimento do comércio eletrônico, passam cada vez mais a fazer essas compras pela internet.

Categorias de produtos mais baratos garantem uma maior recorrência de compra do que eletrônicos ou eletrodomésticos, hoje líderes no faturamento do e-commerce no Brasil — e também os preferidos entre os usuários que compram pouca ou nenhuma vez ao ano pela internet. “O mercado nos segmentos não-duráveis ainda está muito embrionário no Brasil. Quando essa linha começar a se consolidar, vamos ver uma recorrência maior de compras e crescimento do e-commerce no geral”, diz André Dias, diretor-executivo da Compre&Confie.

A vez das roupas

Os produtos da categoria de moda e vestuário são os que lideram a chamada “segunda onda” do comércio eletrônico, em que os consumidores passam a comprar pela internet produtos menos duráveis. A expectativa para os próximos anos no Brasil é que aumentem os pedidos de itens de supermercado, roupas, cosméticos e até artigos para animais, como acontece em mercados mais maduros.

O valor das compras confirma como as mulheres já embarcaram na “segunda onda”. Comprando produtos mais baratos, elas fazem mais pedidos que os homens, mas gastam menos: as mulheres da categoria heavy user gastaram, em média, R$ 3.801 reais ao longo do preríodo, ante R$ 5.029 reais gastos pelos homens.

Produtos como celulares e eletrodomésticos dão mais dinheiro aos varejistas, mas recebem menos pedidos — já que uma mesma pessoa só troca de celular a cada um ou dois anos, por exemplo, mas compra roupas ou sabão em pó várias vezes ao ano.

Telefonia e eletrodomésticos/ventilação responderam por 15,2% e 20,5% do faturamento do e-commerce no primeiro semestre do ano, mas por apenas 6,8% e 6,1% do número de pedidos, segundo a Compre&Confie. Já moda e acessórios teve 12,2% do faturamento, mas liderou em número de pedidos, com 22,2% do total. A segunda categoria mais comprada foi beleza, perfumaria e saúde, com 12,3% dos pedidos (embora tendo apenas 5,8% do faturamento).

“Os produtos não-duráveis ainda não atingiram todo seu potencial na internet porque, ao contrário de um eletrônico, eles são menos ‘padronizados’, o que aumenta a chance de troca, que ainda é difícil e custosa no comércio eletrônico”, afirma Dias.

Por isso, os consumidores mais jovens, independentemente do gênero, são os que mais vêm aderindo à essa tendência, por estarem mais habituados à internet e ter mais confiança para eventualmente trocar ou devolver produtos.

A chamada geração Y (pessoas entre 25 e 39 anos) foi responsável, sozinha, por 48% dos pedidos no período, e por 49% do faturamento. Em seguida vem a geração X (pessoas entre 40 e 60 anos), responsável por 30% dos pedidos, e a geração Z (pessoas com até 24 anos), que tem 16% dos pedidos — fatia que deve aumentar à medida que essa população se torna mais velha e com maior renda. Os que menos compram na internet são os “baby boomers”, pessoas com mais de 60 anos.

A saída para crescer

Neste cenário, fazer com que as pessoas comprem produtos mais baratos — e, portanto, com mais frequência — é o que fará o comércio eletrônico brasileiro ir dos atuais 6% dos pedidos do varejo para 10% nos próximos cinco anos, segundo cálculos do Bradesco BBI com base em dados da eBit/Nielsen. Atualmente, o Brasil está bem abaixo da média mundial de penetração do e-commerce, de 12% (e que chega a mais de 30% na China).

O mesmo relatório do Bradesco aponta que as categorias cujas vendas mais vão crescer nos próximos cinco anos são itens de supermercado (40,5%), roupas e calçados (26%), a categoria “outros”, que inclui itens como livros (41%), acessórios de veículos (23%) e brinquedos e itens para bebês (23%). Os que terão menos crescimento serão justamente os eletrônicos (13%) e eletrodomésticos (12%).

Além disso, as barreiras logísticas no Brasil, como a grande área do país, estradas mal conservadas, malha concentrada apenas nos caminhões e alta dependência dos serviços dos Correios são entraves a entregas mais rápidas e fretes mais barato (na média, o frete foi de 25 reais, segundo a Compre&Confie, o que ainda inviabiliza a entrega de produtos de preço mais baixo).

“O consumidor pode desistir de comprar um produto de menor valor porque não quer esperar pela entrega ou porque o frete não compensa”, afirma Dias, da Compre&Confie. Os entraves de logística, além de fatores como renda, também fazem 65% das compras no comércio eletrônico estar concentrada nos estados do Sudeste.

Um fator que Dias aponta como decisivo para aumentar as compra de produtos não-duráveis na internet são os marketplaces, onde lojistas podem oferecer seus produtos nos sites de terceiros. De olho na tendência, já é possível ver em sites de grandes varejistas, outrora restritos a eletrodomésticos, itens como roupas e produtos de supermercado — o Magazine Luiza, por exemplo, recentemente pagou 115 milhões de dólares para poder ter o direito de vender as roupas e artigos esportivos da Netshoes.

Tudo isso será essencial para que, em poucos anos, comprar suéteres e batons pela internet seja tão natural — e fácil — quanto comprar um celular.

Fonte: https://exame.abril.com.br/negocios

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