A evolução do comércio eletrônico no Brasil vem ocorrendo mais lentamente do que em outros mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e China, mas já desafia as empresas que atuam no segmento varejista a redesenhar as operações para se adaptarem às mudanças no comportamento do consumidor.
Nos últimos anos, as operadoras de shopping centers vinham se antecipando ao movimento do ecommerce no país, reforçando a oferta de serviços e opções de entretenimento, além de buscarem alternativas à perda das receitas com estacionamento. “O Brasil até largou na frente nesse quesito. O impacto do ecommerce vai ser sentido, mas em menor grau do que nos Estados Unidos”, afirmou à Reuters o analista do BTG Pactual, Gustavo Cambauva. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, os shoppings no Brasil são mais que centro de compras e não necessariamente precisam competir com o comércio eletrônico. Em vez disso, ele aposta que o setor pode assumir papel central no desenvolvimento do ecommerce no país, que ainda esbarra em questões de infraestrutura logística. “O que torna nossos shoppings uma joia é a localização. Eles seriam centros de distribuição perfeitos”, disse Humai.
Uma das consequências da mudança de hábitos dos consumidores em direção a compras online e da proliferação de aplicativos de transporte como Uber é o recuo na atividade dos estacionamentos dos shoppings, uma das fontes de receitas dos empreendimentos. A Multiplan apurou crescimento de 12% na receita de estacionamento de seus shoppings em 2015, conta que recuou para queda de 0,5% em 2017. Na rival Iguatemi, a linha passou de expansão de 18% para alta de 4% no mesmo período. Já a BRMalls viu a expansão de 11% passar para apenas 0,6%.
“Na pior das hipóteses convertemos parte dos nossos 570 shoppings em centros de distribuição”, disse o presidente da Abrasce ao se referir ao número de empreendimentos atuais no Brasil. A estratégia de olhar os shoppings como centrais de distribuição de produtos espelha a de grandes redes de varejo como a Via Varejo, que está construindo minigalpões em lojas físicas para acelerar os prazos de entrega de mercadorias compradas pela internet.
Isso ocorre num momento em que o setor se esforça para integrar os canais online e offline, enquanto a concorrência se acirra com uma atuação possivelmente mais intensa da gigante americana Amazon no mercado brasileiro.
Uma das primeiras administradoras de shopping centers a se aventurar no ecommerce foi a BRMalls, que há cerca de três anos introduziu um projeto-piloto em seu Shopping Metrô Santa Cruz, em São Paulo, para entregas de restaurantes da praça de alimentação. “Montamos uma central de entregas que fazia a ponte entre gerador de pedidos e as lojas de alimentação. O negócio começou a dar muito certo e percebemos que tinha potencial”, disse o diretor de operações da BRMalls, Vicente Avellar.
Em 14 de maio, a companhia anunciou investimento não majoritário na plataforma aberta Delivery Center para desenvolver o chamado “ship from mall”, um modelo de entregas que usará shoppings como centros de distribuição.
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