A logística como estratégia de desenvolvimento para o Brasil

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“Pensar logística para além das fronteiras organizacionais tem sido fator crucial para o sucesso das organizações: logística, como o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo de movimentação de bens e serviços, informações financeiras e mercadológicas, da origem até o ponto de consumo, a partir das exigências dos clientes, adquiriu fôlego no Brasil a partir dos anos 2000, principalmente em função da globalização dos mercados. Mas ao mesmo tempo em que a globalização gerou mais oportunidades com mercados maiores e menos barreiras comerciais, também trouxe mais riscos, com o aumento da concorrência e maior vulnerabilidade para este mercado.

Por outro lado, a visão restrita, ou a falta de visão sistêmica entre as organizações, tem dado espaço à gestão da cadeia de suprimentos (supply chain management), na qual vários parceiros se unem, trabalhando em conjunto e em harmonia, desde a concepção de um novo projeto, passando pela rede de suprimentos, de produção, de distribuição, pós-vendas e a reversão, com o objetivo de atender bem ao cliente, no que se refere a preço, prazos de entrega e qualidade.

A velocidade na capacidade de resposta às novas demandas é um ponto-chave para o sucesso

Essa integração de processos tem sido o fator de sucesso para muitas organizações; diversos participantes da cadeia, ao se utilizarem das melhores práticas da logística, têm se destacado em relação à melhoria da produtividade, redução de custos operacionais, de tempo de processamento e melhoria dos serviços prestados aos clientes.

Mas em um contexto mais geral, organizações, bem como os consumidores, têm pago uma conta muito alta em função da falta de infraestrutura adequada no Brasil. Tornou-se chavão a afirmação “um país com dimensões continentais” ser tão carente de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, o que trava o desenvolvimento.

Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (2014), a matriz do transporte de cargas no Brasil era composta principalmente pelos modais rodoviários: 61% de tudo o que transportamos está concentrado em caminhões; 20% por meio de ferrovias; aproximadamente 14% em estruturas aquaviárias e apenas 5% entre aéreo e dutoviário.

Já no Paraná, rodovias são o principal modal de transporte no Estado: 82% das cargas que chegam ao Porto de Paranaguá são transportadas por via terrestre. Neste cenário, a logística da indústria pode ser afetada por problemas como o preço do pedágio nas estradas e a má conservação das rodovias. A situação é ainda mais crítica no oeste do estado: a região é grande produtora, mas entraves de logística dificultam o escoamento da produção, impedindo um desenvolvimento mais acelerado na agroindústria nacional. Não bastassem problemas de infraestrutura, a logística enfrenta ainda questões burocráticas e econômicas, como preços elevados do transporte, além das mudanças e complicações trazidas pelo tabelamento do frete.

Esses outros desafios vêm colocando a logística à prova, como, por exemplo, a integração entre organizações parceiras de uma determinada cadeia de suprimentos, quebrando barreiras entre organizações participantes de que o trabalho em conjunto pode, sim, trazer excelentes resultados. Por isso, a velocidade na capacidade de resposta às novas demandas é um ponto-chave para o sucesso: sua adequação na utilização dos recursos escassos disponíveis, o que tem motivado cada vez mais a se pensar a logística como estratégia dentro das organizações, é essencial.

A indústria brasileira, apesar de todas as dificuldades, com momentos de instabilidade econômica e financeira, tem crescido, inovado, investido em novas tecnologias, fortalecendo a logística como uma estratégia interna.

A expectativa para os próximos anos é o crescimento dos mercados, com o surgimento de novas oportunidades de negócios, aumento da competitividade e lucratividade nas organizações. E aquelas que já despertaram para a importância das melhores práticas certamente estão à frente das demais.

Por: Carlos Augusto Candeo Fontanini é consultor de empresas, doutor em Educação e professor do curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).”
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